Grupo Aeroporto do Pico satisfeito com reforço de ligações, mas defende maior ambição estratégica

🕒 2026-01-22


O Grupo Aeroporto do Pico (GAPix) manifestou hoje “grande satisfação” com o reforço das ligações aéreas à ilha do Pico anunciado pela SATA para o verão IATA 2026, mas considerou que é necessária “uma visão estratégica mais ambiciosa” para a mobilidade aérea da ilha.


Em comunicado de imprensa, o movimento de cidadãos destaca, em particular, o reforço da rota Ponta Delgada/Pico/Ponta Delgada, sublinhando que este aumento de frequências “é demonstrativo da enorme procura existente entre o principal aeroporto açoriano e a maior infraestrutura aeroportuária totalmente regional”.

O GAPix assinala ainda que, pela primeira vez, o Pico contará com seis voos semanais diretos entre Lisboa e a ilha, no período de junho a setembro, com exceção das terças-feiras.

Segundo o grupo, este reforço “constitui um motivo de celebração” e representa “um justo reconhecimento do crescimento sustentado da procura”, sendo também “um passo decisivo rumo ao objetivo estratégico” de assegurar uma ligação diária entre Lisboa e o Pico durante a época alta.

O comunicado refere que, em 2025, a ilha do Pico apresentou “uma das taxas de ocupação mais elevadas das rotas territoriais”, com 87% de ocupação no período entre abril e outubro.

Apesar disso, o GAPix defende que o crescimento da procura deve ser acompanhado por uma estratégia mais ambiciosa e considera que estão reunidas as condições para, “num horizonte próximo”, ser ponderada a abertura de uma ligação aérea direta entre o Porto e o Pico, de forma a responder à procura existente, nomeadamente no Norte de Portugal.

O grupo alerta, contudo, que o número mínimo de frequências territoriais previsto para o Pico no verão IATA, conforme definido nas Obrigações de Serviço Público (OSP), é “manifestamente insuficiente face à procura real”.

“A rota Lisboa/Pico/Lisboa transporta anualmente mais de 52 mil passageiros, apresenta uma taxa de ocupação anual de 85% e dispõe de seis ligações semanais na época alta, enquanto as OSP exigem apenas 20 mil lugares anuais e duas frequências semanais”, aponta.

O GAPix refere ainda constrangimentos operacionais, destacando a recusa da TAP em concorrer à rota do Pico, invocando a limitação da pista e a inexistência de tripulações certificadas para operar em pistas curtas, reiterando, por isso, a reivindicação da ampliação da infraestrutura aeroportuária.

O grupo alerta também para a dependência atual da ilha em relação à Azores Airlines para as ligações ao exterior da região com aeronaves A320 ceo, considerando essa situação “particularmente preocupante” no contexto do processo de privatização da companhia aérea açoriana.

Segundo o GAPix, um eventual cumprimento estrito dos mínimos previstos nas OSP poderá limitar o Pico a “apenas 20 mil lugares anuais e duas frequências semanais”, colocando em causa os interesses económicos e sociais da ilha, bem como a mobilidade de residentes e visitantes.

Neste contexto, o grupo defende a revisão e reformulação urgente das Obrigações de Serviço Público, de forma a adequá-las à realidade atual e às necessidades da ilha do Pico.




MTop | Foto: GAPix









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