Segundo a acusação, datada de 11 de dezembro e a que a agência Lusa teve acesso, a mulher de Miguel Arruda foi também acusada de um crime de recetação, por presumivelmente ter usufruído de roupa e outros bens que saberia terem sido furtados pelo marido.
Miguel Arruda, de 41 anos, foi eleito deputado pelo Chega nas eleições legislativas de março de 2024, tendo passado a deputado independente depois de ter sido constituído arguido em janeiro de 2025. Quando o processo se tornou público, o antigo parlamentar negou a prática dos crimes.
Dos 21 crimes de furto qualificado imputados pelo MP, 20 são na forma consumada e um na forma tentada.
De acordo com a acusação, Miguel Arruda terá aproveitado o facto de viajar semanalmente entre Ponta Delgada, onde residia, e Lisboa, onde exercia funções parlamentares, em horários de menor afluência no aeroporto, para desviar, em pelo menos oito dias distintos, mais de uma dezena de malas de outros passageiros dos tapetes de recolha de bagagem, tanto do seu voo como de outros.
Em pelo menos três ocasiões, terá igualmente percorrido a zona de recolha de bagagens com o objetivo de subtrair malas, não o conseguindo por não encontrar bagagens sem vigilância.
A 21 de janeiro de 2025, o então deputado foi intercetado pela PSP no aeroporto, não tendo conseguido, como alegadamente acontecia anteriormente, abandonar o local de transporte individual de passageiros em direção a casa ou à Assembleia da República.
O valor do conteúdo das malas furtadas não foi apurado na maioria dos casos, mas duas delas continham roupa, calçado e bolsas de marcas de luxo, avaliadas globalmente em cerca de 12 mil euros.
Segundo o MP, alguns dos artigos terão sido oferecidos à mulher do arguido e outros colocados à venda na plataforma digital Vinted, incluindo com indicação da morada da Assembleia da República, em Lisboa.
No gabinete de Miguel Arruda no parlamento foram apreendidas, a 27 de janeiro de 2025, seis malas de viagem e uma mochila aparentemente pertencentes a terceiros. Nas residências do casal, em Ponta Delgada e em Lisboa, a PSP encontrou ainda perto de 30 artigos pertencentes a desconhecidos, incluindo um computador portátil.
Miguel Arruda e a mulher encontram-se em liberdade, sujeitos a termo de identidade e residência. O ex-deputado não integra a atual legislatura da Assembleia da República.
MTop | Foto: Chega-A
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