Açores defendem adaptação climática e reforço de parcerias na COP30, no Brasil
🕒 2025-11-14
O Secretário Regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, representou os Açores na COP30, que decorre em Belém do Pará, no Brasil, destacando a importância da presença da Região na principal conferência mundial sobre alterações climáticas.
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“É muito relevante que os Açores estejam representados, porque nos permite dar visibilidade ao trabalho desenvolvido e afirmar a Região como um laboratório de soluções inovadoras”, afirmou o governante, sublinhando que o encontro proporciona contacto direto com líderes, especialistas e potenciais financiadores de projetos climáticos.
Alonso Miguel salientou que os Açores são “muito mais vítimas do que responsáveis” pelo aquecimento global, lembrando que o contributo regional para as emissões é “residual”, apesar dos impactos cada vez mais frequentes. Entre os efeitos já sentidos, destacou fenómenos meteorológicos extremos, subida do nível do mar, erosão costeira, intrusão salina e perda de biodiversidade, com consequências para a agricultura, pescas e turismo.
O secretário regional defendeu a necessidade de políticas de mitigação, mas sobretudo de adaptação: “Importa definir estratégias e medidas concretas para garantir que a Região se ajusta a esta nova realidade”.
Na COP30 foram apresentados vários instrumentos regionais, como o Roteiro para a Neutralidade Carbónica, o projeto LIFE IP Climaz, a Agenda para a Economia Circular e iniciativas INTERREG, como o Implacost e o Planclimac2, que reforçam a resiliência climática dos Açores.
A convite do Pavilhão do Brasil, Alonso Miguel interveio ainda numa sessão sobre áreas marinhas protegidas, onde destacou a Rede de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores, “a maior do Atlântico Norte”, que abrange 30% do mar regional. “É um fator que nos distingue e nos coloca num patamar de excelência a nível mundial”, afirmou.
O governante expressou expectativa de que a COP30 seja “uma conferência de concretizações”, capaz de acelerar a descarbonização e a transição energética e ecológica, com calendários e financiamento claros.
“As alterações climáticas exigem cooperação internacional efetiva, sobretudo por parte dos países que mais contribuem para o aquecimento global”, afirmou, alertando que, sem acordos firmes, “não será possível cumprir o Acordo de Paris”, sendo as regiões mais vulneráveis — como os Açores — as mais afetadas.
MTop | Foto: GRA
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