Radioamadores dos Açores garantem comunicações em situações de emergência

🕒 2025-10-05


A rede de radioamadores dos Açores tem desempenhado um papel essencial na manutenção das comunicações entre as ilhas, especialmente em situações de falha de energia provocadas por temporais ou sismos. Ao longo das últimas décadas, os radioamadores têm sido fundamentais em momentos críticos, assegurando ligações vitais entre populações e entidades oficiais.


“Estamos sempre aqui para ajudar, seja numa emergência, urgência e mesmo no dia-a-dia. Há sempre um radioamador à escuta, pronto a ouvir um pedido de socorro”, afirmou à agência Lusa Bruno Farias, secretário da Associação de Radioamadores dos Açores (ARA), a primeira a ser fundada na região, em 1976.

O arquipélago conta atualmente com seis associações de radioamadores: uma em São Miguel, uma em Santa Maria, uma no Faial, uma em São Jorge — criada há dois anos — e duas na ilha Terceira.

Segundo Bruno Farias, os radioamadores açorianos estiveram na linha da frente em várias situações de crise, como o sismo de 1998 no Faial, a tragédia da Ribeira Quente, em São Miguel, em 1997, e a passagem do furacão Lorenzo, em 2019.

Mesmo com os avanços tecnológicos e a crescente utilização de sistemas via satélite, o responsável alerta que “existe sempre o risco de uma ilha ficar completamente isolada” em caso de catástrofes naturais.

Durante o furacão Lorenzo, por exemplo, a rede de radioamadores assegurou comunicações entre a Proteção Civil, os bombeiros e as populações, transmitindo mensagens de emergência e até remarcando consultas médicas nas Flores, até as ligações convencionais serem restabelecidas.

Mais recentemente, na passagem do furacão Gabrielle, em setembro, os radioamadores voltaram a demonstrar a sua importância. “Foi uma operação conjunta entre todas as associações dos Açores, que mostrou o valor da cooperação e da preparação da comunidade radioamadora”, destacou Bruno Farias.

A rede manteve-se de prevenção durante toda a noite e madrugada, garantindo redundância nas comunicações e reportando falhas de energia, nomeadamente na zona do Topo, em São Jorge.

“Cada ilha contou com pelo menos um operador disponível, muitos com mais do que uma estação ativa, e com canais diretos para entidades oficiais, como a Proteção Civil e os bombeiros”, explicou o secretário da ARA.

Os radioamadores sublinham a fiabilidade das suas comunicações, mesmo nas condições mais adversas. “Com um pouco de fio e uma bateria de carro, conseguimos falar para qualquer parte do mundo ou entre ilhas. É essa a força da rádio”, referiu Bruno Farias.

Além do apoio em situações de emergência, os radioamadores mantêm-se ativos diariamente, promovendo o espírito de entreajuda e solidariedade que caracteriza esta comunidade.

“É esse o nosso plano e compromisso”, concluiu o secretário da ARA, lembrando o apoio prestado em 2019 a um faroleiro nas Flores, numa altura em que “nas Lajes não havia telefone nem internet”.




MTop | Foto: CRAA









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